Death Stranding: explore um mundo único e desafiador

Death Stranding: explore um mundo único e desafiador

A experiência de sobrevivência e ligação em um cenário inexplorado.

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Quando Hideo Kojima apresentou ao mundo seu primeiro projeto após sua saída da Konami, a comunidade gamer ficou em um misto de euforia e confusão. Trailers enigmáticos, conceitos abstratos e um elenco de estrelas de Hollywood compunham o que viria a ser Death Stranding. Longe de ser um jogo de ação convencional, ele se revelou uma experiência que desafia classificações, focada em temas como conexão, solidão e reconstrução.

Este não é um jogo para todos, e essa é uma de suas maiores qualidades. Ele exige paciência e uma mente aberta para sua proposta singular. Se você busca algo que quebre moldes e ofereça uma jornada memorável, prepare-se para entender por que este título se tornou um marco na indústria de games, dividindo opiniões, mas jamais passando despercebido.

O que é Death Stranding, afinal?

Em sua essência, Death Stranding é um jogo sobre reconectar uma sociedade fragmentada. Você assume o papel de Sam Porter Bridges, um entregador em uma versão pós-apocalíptica dos Estados Unidos, agora chamada de Cidades Unidas da América (UCA). O mundo foi devastado por um evento cataclísmico que deu nome ao jogo, o qual borrou a linha entre a vida e a morte.

Este evento trouxe consigo fenômenos sobrenaturais perigosos. A Chuva Temporal (Timefall) acelera o tempo de tudo o que toca, envelhecendo e deteriorando objetos e seres vivos em segundos. Pior ainda são as EPs (Entidades Praianas), ou BTs (Beached Things), almas presas no nosso mundo que são invisíveis a olho nu e representam uma ameaça constante para os sobreviventes.

Sua missão, como Sam, é atravessar o continente de leste a oeste, conectando assentamentos isolados à Rede Quiral, uma espécie de nova internet que permite a comunicação e o compartilhamento de dados. Ao fazer isso, você não apenas entrega suprimentos vitais, mas também a esperança de um futuro unificado. A narrativa é densa, filosófica e repleta de simbolismos, uma marca registrada de Kojima.

Uma Jogabilidade Inovadora e Contemplativa

O core do gameplay de Death Stranding gira em torno de seu trabalho: fazer entregas. Pode parecer simples ou até mesmo tedioso, mas a execução é onde a genialidade do design se manifesta. Cada entrega é um puzzle complexo que envolve planejamento, gerenciamento de recursos e, acima de tudo, domínio do terreno.

Sam precisa carregar cargas nas costas, nos ombros, nos quadris e em veículos. O peso e a distribuição afetam diretamente seu equilíbrio e sua estamina. Uma pilha de caixas mal arrumada pode fazer você tropeçar e cair, danificando a carga e seus equipamentos. O terreno é seu maior adversário: rios caudalosos, montanhas íngremes e planícies rochosas exigem o uso de ferramentas como escadas, cordas de escalada e geradores.

A beleza dessa mecânica está na jornada, não apenas no destino. Atravessar uma cadeia de montanhas com sucesso após um planejamento cuidadoso gera uma sensação de conquista imensa. O jogo transforma o ato de caminhar em uma mecânica central e desafiadora, algo que poucos títulos ousam fazer. É uma experiência contemplativa, muitas vezes solitária, mas extremamente recompensadora.

O Sistema Social Strand: Conectando Jogadores

Um dos aspectos mais brilhantes e inovadores é o seu multiplayer assíncrono, batizado de Sistema Social Strand. Embora você nunca encontre outro jogador diretamente em seu mundo, as ações deles têm um impacto profundo na sua jornada. Estruturas deixadas por outros jogadores, como pontes, abrigos e estradas, aparecerão no seu jogo.

Isso cria um sentimento poderoso de colaboração silenciosa. Aquela ponte que você encontrou sobre um rio perigoso foi construída por alguém que enfrentou a mesma dificuldade antes. Você pode agradecer deixando “curtidas” (likes), a principal moeda social do jogo. Da mesma forma, as estruturas que você constrói ajudarão outros Sams em suas próprias jornadas.

Esse sistema reforça o tema central de conexão de uma maneira brilhante. Você está fisicamente sozinho, mas nunca se sente completamente isolado. Ajudar e ser ajudado por estranhos anônimos cria um laço comunitário único, mostrando que, mesmo em um mundo desolado, a cooperação é a chave para a sobrevivência e o progresso. Construir uma rodovia inteira com a ajuda de dezenas de outros jogadores é uma das experiências mais gratificantes dos games modernos.

Narrativa, Elenco e Construção de Mundo

A história é um dos pilares da experiência. Hideo Kojima é conhecido por suas narrativas cinematográficas, e aqui ele eleva esse conceito a um novo patamar. A trama é complexa, cheia de reviravoltas, momentos emocionantes e diálogos que exploram temas existenciais profundos sobre vida, morte e o que nos torna humanos.

Para dar vida a essa visão, o jogo conta com um elenco de peso. Norman Reedus entrega uma performance contida e poderosa como o protagonista Sam. Mads Mikkelsen, Léa Seydoux, Margaret Qualley e Troy Baker também brilham em papéis complexos e memoráveis, com atuações capturadas com uma tecnologia impressionante que resulta em personagens extremamente realistas.

O world-building é igualmente detalhado. Através de entrevistas, e-mails e interações, você descobre mais sobre o cataclisma, a natureza das EPs, a tecnologia por trás do BB (Bridge Baby) e as diferentes facções que habitam este novo mundo, como os terroristas que buscam manter a América fragmentada. Cada detalhe contribui para criar um universo coeso e fascinante.

Desafios e Inimigos: Mais do que Apenas Entregas

Apesar do foco na travessia, o mundo não é desprovido de perigos. As EPs são uma ameaça constante e aterrorizante. Detectadas pelo seu BB, uma unidade que permite sentir a presença dessas entidades, as sequências de confronto com elas são momentos de pura tensão. A furtividade (stealth) é quase sempre a melhor abordagem, exigindo que você prenda a respiração e se mova lentamente para evitar ser detectado.

Além das ameaças sobrenaturais, existem os inimigos humanos. Os MULEs são ex-entregadores viciados na euforia de interceptar cargas. Eles atacarão você para roubar seus pacotes, forçando confrontos que podem ser resolvidos com combate não letal ou evasão. Mais adiante, você encontrará terroristas mais perigosos, que não hesitarão em usar força letal.

No entanto, como mencionado, o maior inimigo é o próprio ambiente. Uma nevasca pode reduzir sua visibilidade a zero, um rio pode arrastar suas cargas e uma queda pode ser fatal. Aprender a ler o terreno e a se preparar para suas adversidades é fundamental para o sucesso de qualquer entregador.

Conclusão: Uma Jornada Inesquecível

Death Stranding não é um jogo de ação frenética ou um RPG de mundo aberto tradicional. É uma obra autoral, uma experiência que prioriza a atmosfera, a narrativa e uma mecânica de jogo única. Ele pede que o jogador desacelere, observe o mundo ao seu redor e encontre satisfação no ato de superar obstáculos e conectar pessoas.

Para os jogadores que se permitirem mergulhar em sua proposta, o título oferece uma das jornadas mais originais e emocionalmente ressonantes da última década. É um lembrete poderoso de que, em um mundo que muitas vezes nos incentiva ao isolamento, o ato de estender a mão e construir pontes — literais e figurativas — é o que nos define.

Se você ainda não teve a chance, explore este mundo desafiador. A experiência de reconectar a América, uma entrega de cada vez, certamente ficará com você por muito tempo após os créditos rolarem.

Bárbara Luísa

Graduada em Letras, possui experiência na redação de artigos para sites com foco em SEO, sempre buscando oferecer uma leitura fluida, útil e agradável.

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